| Cliente | WRI Brasil |
| Projeto | Restaura Biomas |
| Coordenação | Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas |
| Serviços | Diagnóstico institucional e territorial Mapeamento de atores e análise de financiamento Avaliação de gênero e inclusão Plano de ações prioritárias |
| Abrangência | Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal |
| Período | 5 meses |
| Rede de Especialistas | Marllisson Borges, engenheiro florestal Nathália Gallucci, antropóloga Renata Pereira, bióloga Silvia Poletti, antropóloga |
O projeto Restaura Biomas reúne seis coletivos de restauração ecológica, um em cada bioma brasileiro: a Aliança pela Restauração da Amazônia, a Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, o Pacto pela Restauração do Pantanal, a Rede de Restauração da Caatinga e a Rede Sul de Restauração Ecológica. São arranjos com histórias, tamanhos e graus de formalização muito distintos entre si.
O WRI Brasil precisava de uma leitura comparável desse conjunto: entender como cada coletivo funciona de fato, onde estão as fragilidades que limitam sua atuação e o que priorizar no fortalecimento de cada um. Comparável, mas sem nivelar por baixo as diferenças que fazem sentido em cada território.
A Obiê estruturou o trabalho em quatro produtos encadeados, cada um respondendo a uma pergunta e alimentando o seguinte.
1. Diagnóstico institucional e territorial
A análise combinou documentos internos e públicos de cada coletivo, entrevistas qualitativas em profundidade com representantes e fichas institucionais padronizadas, o que tornou os seis casos comparáveis entre si.
A avaliação usou uma matriz de maturidade adaptada da experiência do EcoXingu, organizada em seis dimensões: governança e organização institucional, gestão administrativa e financeira, mobilização e base social, capacidade técnica e operacional, sustentabilidade institucional, e parcerias e articulação em rede. Essas foram classificadas em cinco níveis, do inicial ao de referência. Cada afirmação do diagnóstico está ancorada em evidência; onde faltava informação, a lacuna foi registrada e complementada por entrevista, não preenchida por suposição.
A camada territorial acrescentou a leitura do contexto de cada bioma, as sobreposições entre áreas de atuação e as políticas públicas em diálogo com os territórios de restauração.
2. Mapeamento de atores e análise de financiamento
Identificação de quem sustenta e de quem influencia a restauração em cada bioma, e de como os recursos chegam (ou deixam de chegar) aos coletivos. O mapeamento expôs concentrações, dependências e oportunidades de financiamento ainda não acessadas.
3. Avaliação de gênero e inclusão
Cinco grupos focais reuniram mulheres que atuam na base da restauração: lideranças indígenas, coletoras de sementes, acadêmicas, gestoras e estudantes. A composição priorizou mulheres negras, indígenas, quilombolas, de comunidades tradicionais, LGBTQIAPN+ e de diferentes faixas etárias.
O roteiro semiestruturado percorreu quatro eixos: participação e representatividade, insegurança e medo, renda e identidade, e trabalho doméstico e de cuidados. Antes de cada encontro houve articulação individual com as participantes e acolhimento técnico. A sala virtual abria trinta minutos antes, para que a barreira de acesso não definisse quem teria voz. A análise preservou o anonimato e organizou os achados pela intensidade dos temas.
4. Plano de ações prioritárias
Cada fragilidade identificada nos produtos anteriores foi convertida em recomendação, e cada recomendação em ação priorizada junto ao próprio coletivo, com foco em governança, financiamento, inclusão e inteligência territorial.
O que sustenta o método?
Escuta como fonte primária.
Entrevistas e grupos focais não ilustram o diagnóstico: são o que o produz. O que emerge da conversa entre pessoas que vivem o mesmo território não aparece em formulário.
Comparabilidade sem padronização forçada.
A matriz permite ler os seis coletivos lado a lado sem apagar o que cada um construiu no seu contexto.
Devolutiva como etapa do método.
Os coletivos participaram da priorização das ações que os afetam, em vez de recebê-las prontas.
O que atingimos como resultado?
O WRI Brasil passou a contar com um retrato institucional comparável dos seis coletivos, um mapa de atores e de fontes de financiamento por bioma, uma leitura qualificada das desigualdades de gênero na restauração e um plano de ações priorizadas com cada rede. Os quatro produtos formam uma base de decisão sobre onde investir esforços de fortalecimento institucional e por quê. Para os próximos anos de projeto, a ferramenta de monitoramento será parte essencial do monitoramento de indicadores de governança e impacto, sendo uma ferramenta construída para proporcionar comparações do período inicial e pós-projeto, com monitoramento de indicadores transversais de gênero e inclusão social.